quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Luas
sábado, 19 de setembro de 2009
Valsando Chuva
Diferente ele querer
Esconder as notas da canção
Disse que eu deveria procurar
Um passarinho, uma piada qualquer
Jogar conversa fora e esquecer
Não era mais o moço
Lembrou palavras, mais palavras, meu vestido
As minhas unhas coradas
Meus ais e a dor dos dias
Distante do brincar das línguas
Lentamente esse querer
Emprestou seus pensamentos
Invadiu a tela nua, meu respirar
Fotografias antigas, passado, presente
Toda sua vida, perfume a amarelar
Assaltou minha paz o não cantar
Vendeu meus discos
Congelou no enxaguar da barba
Mudou de rua, de bairro
Remodelou minhas estrelas, distâncias
O céu gemeu azul canto
Choro troncho, agonia e espanto
A chuva do moço, do velho
Vesti o roto vestido
E fui valsar com a chuva
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Sonho avarandado
Vento que vem do mar canta feito concha em meus ouvidos. Sento ali mais uma vez para ouvir. Quietinha. Gosto de sol e saudade, língua de sal. Inflo de ar meu corpo que suspira em um ai samba-bossa, nem velha, não nova. Nossa!
Roda, gira, vira o vento, levanto vejo ao longe seu olhar. Mar. Violão nos braços, dança dos dedos, canto, viro show da bêbada alegria, esperança. A cada pulso sou mais eu, a cada nota sou mais sua. Onda bate feito pulso forte das gotas suaves. Amor.
Acordei, sol de domingo fez meu sonho desvendar. O olhar dos meus segredos, no meu quarto a me acordar.
*Inspiração e frases roubadas: Flor de Maracujá (João Donato e Lyslas Enio)
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Canção nascendo
Contou, se viria, que viria, na concha do ouvido, no eco dos receios mudos, e acordou seus vestidos. Ficou na porta de estrelas, cabelos caídos no travesseiro, carinho dos próprios pés e unhas brigando nos dedos. Era sonho, conto do avesso. Era poema de amor bandido. Se um dia ainda flor resta um ou dois ou reza. Ou se um dia ainda rio presta ou conta do verbo terço. Se o dia ainda versa dana tudo do vazio, onde verso, flor e riso rolam ladeira, água e beira.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
O Desertor
Ficou por ali olhando para os lados na tentativa de compreender se o amor fica estacionado por alguns instantes em alguma estação. Queria achar a passagem para esse trem. Fixou-se na bagagem revistando mentalmente tudo o que estava por dentro, o que estava esquecendo, o que deixou por escolha, Escova de dentes, pente, jeans, camisas, aspirina... Raiva, pesadelos, saudade, abraços, amigos... Escondeu algumas dores, enterrou outras ali mesmo na plataforma, olhou o céu da noite e sorriu para a solidão das estrelas, gestos de quem deseja ser feliz. Tomou as malas nas mãos e o violão nas costas e entrou no trem, Será esse o trem do amor? Tantas questões naquele ato de coragem batiam feito tempestade em sua mente, Que bicho está voando aqui dentro? Quais as cores do meu destino? Por que o riso embolado ao choro? Na cabeça as batidas da água e vento o faziam nascer com a dor de quem nasce para o bicho da liberdade.
Admirou suas mãos espantado enquanto o trem começava a se mover. Leu as linhas do seu futuro adormecendo em sonhos que ainda não conhecia. Viu-se morto, em um jardim com flores enraizadas em seus dedos. Estava ao lado de um anjo e de alguns animais em um dia amanhecido de cores de nunca vistas. Imóvel diante da natureza, era parte de uma paisagem que vibra os ares calmos. Acordou assustado, suado, com respiração descompassada. O trem ainda se movia, a noite da solidão ainda o acompanhava. Apertou as mãos esfregando e agarrando as preces que não podia mais fazer, Meu Pai, por onde andas? Fechou os olhos abrindo novas orações lembrando o anjo que velava seu corpo intacto fazendo conjunto com a paisagem.
O trem chegou no seu destino. Já era insônia ou era dia, era somente um texto ou agonia. Os cabelos agora longos, da bagagem só carregou a canção, dos pés descalços o caminho colado aos dedos de flor e poesia.

